A criação de conteúdo foi democratizada. Mas você já reparou que todo mundo começou a falar igual?
Se você sente que os posts que lê estão todos com a mesma estrutura, vocabulário e estética, não é impressão: a inteligência artificial está nivelando a internet por baixo. E o problema não está nas ferramentas. Está em quem usa sem intenção.
Na era em que todo criador de conteúdo parece usar o ChatGPT para tudo, textos, roteiros, legendas, ideias, até identidade visual e o que era para ser revolução virou mais do mesmo.
A linguagem está previsível.
As palavras estão repetitivas.
A originalidade desapareceu.
Basta olhar em volta.
Expressões como efêmero, fugaz, um grito silencioso, tesouro raro, pausa no tempo, e outras fórmulas genéricas que estão em praticamente todos os textos gerados por IA. Mas o problema não é o vocabulário em si. É o vazio disfarçado de profundidade.
Ao longo da minha jornada profissional, tanto como fotógrafa quanto estrategista de marcas. testei, explorei e adotei a IA como aliada. Mas aprendi uma coisa com clareza:
se você não entrega contexto, densidade e visão de mundo, ela devolve apenas ruído.
A internet está cheia de texto sem alma
Você já deve ter lido algo que parecia bem escrito, mas que não dizia nada.
Textos que só “preenchem espaço” na internet. Que não agregam, não movem, não informam. Só estão ali.
E a culpa não é do ChatGPT. É da ausência de intenção.
Na busca por volume, perdeu-se o propósito. Criadores estão trocando o que realmente vivem por respostas prontas, e isso está matando a autenticidade.
O que deveria ser um conteúdo pensado, passou a ser um ctrl+c de prompts básicos como:
“Crie um texto motivacional”
“Me dê 10 ideias de Reels”
“Escreva uma legenda sobre amor próprio”
O resultado é uma internet inflada, cheia de vídeos que não ensinam, textos que não provocam e conteúdos que não transformam. Apenas existem.
Mas você também usa IA, não usa?
Uso. E muito. Mas com uma diferença: eu penso antes de pedir.
Todos os conteúdos que criamos na Aline Fontes Gestão, Marketing e Fotografia tanto para empresas quanto para famílias, nascem de um princípio claro: comunicar com verdade. E isso não se terceiriza.
Pode ser otimizado com IA? Pode. Mas só depois que a intenção está clara.
Não se trata de ser contra as ferramentas. Se trata de entender como jogar o jogo.
Produzir pouco, mas com profundidade.
Usar o digital com consciência, não como fuga.
Inclusive, neste artigo do nosso blog sobre posicionamento estratégico de marcas, explicamos como utilizamos IA para organizar ideias, criar roteiros reais e fortalecer o que já existe — não para substituir o pensamento.
A inteligência artificial virou espelho da nossa preguiça
Você já ouviu falar em “inteligência assistida por IA”?
É a ideia de que o humano transmite sua visão à ferramenta, e ela auxilia na execução. Parece óbvio, mas a prática mostra outra coisa: as pessoas querem que a IA pense por elas.
E isso seria apenas cômico, se não fosse trágico.
Segundo uma pesquisa coordenada pela Ação Educativa e Conhecimento Social, com apoio da Fundação Itaú, Unesco e Unicef, 29% dos brasileiros são analfabetos funcionais.
Entre pessoas acima dos 50 anos, esse número passa de 50%.
Como usar inteligência artificial com consciência se não conseguimos interpretar um parágrafo?
É urgente falar sobre isso.
Democratizou, mas nivelou por baixo
A IA democratizou a criação de conteúdo? Sim.
Mas democratizar não significa elevar o nível.
O que temos visto é repetição.
Palavras que voltam como um mantra vazio.
Fórmulas vendidas como “infalíveis” que só geram conteúdo raso.
A consequência?
Ficamos anestesiados.
E pior: começamos a achar que fazer o básico bem feito é suficiente.
A única saída: estudar. De verdade.
Se você quer criar algo com relevância em 2025, o caminho é um só: estudo intencional.
Estudar como se comunica.
Como escreve.
Como posiciona ideias.
Como constrói a sua voz, e não apenas replica a de outros.
Por aqui, fazemos isso todos os dias, tanto no trabalho de posicionamento de marcas quanto nas nossas criações em fotografia profissional e familiar.
A inteligência artificial não é o fim do pensamento.
É um convite para quem pensa sair da média.
E se você fizer minimamente algo com propósito, já estará na frente de 29% da população.
Não por soberba. Mas porque pensou, enquanto a maioria apenas repetiu.
Aline Fontes